A Roda do Ano em nossa Vida
Uma das primeiras coisas que nos vem a mente quando falamos de praticar a Wicca é a celebração da Roda do Ano. Mas o que realmente isso significa? O que vem a ser celebrar os sabbats e esbats?
Celebrar a Roda do Ano é buscar sentir dentro de nós o que acontece na natureza; é aprender a respeitar o fluxo natural da Roda do Ano dentro de cada um de nós.
Somos afinal, além de parte da natureza, um microcosmo do Macrocosmo que ela é, assim, tudo que nela acontece deverá portanto acontecer em cada um de nós!

Nosso maior engano foi deixar de pensar no passar do tempo, na vida, como algo cíclico, circular, e colocar ambos, tempo e vida, numa linha reta. Nem a vida nem o tempo são retilíneos. Eles são circulares, uma espiral interminável que iniciou-se muito antes de nós e nunca terminará.

Todos nós, Wiccanos ou não, neo-pagãos ou não, vivenciamos a Primavera, o Verão, o Outono e o Inverno deste Grande Ciclo pelo menos uma vez em nossas vidas: todos somos crianças em nossa infância, nossa Primavera, adolescentes em nossa Juventude, o Verão, somos ou iremos ser adultos durante maturidade, Outono e seremos anciãos durante nossa velhice, nosso Inverno. Nossa vida inteira, deste modo, é um grande ciclo semelhante a Roda do Ano, em que vivenciamos as quatro grandes estações em nosso corpo.
Infelizmente somente uns poucos sabem aproveitar as lições que traz cada uma destas fases da vida, especialmente a última, a velhice.
E mais importante do que simplesmente conhecer a Roda do Ano, devemos aprender a senti-la, a pratica-la, a vive-la, voltando a nossa identidade ancestral.

Em seu aspecto mais conhecido, o anual, temos quatro estações: Primavera, Verão, Outono e Inverno, as quais se repetirão no ano seguinte como as voltas de uma mola, não como um fio esticado, igual a todo momento.
Aqui já vale um adendo: Para os celtas, que viviam na natureza e a compreendiam o ano se iniciava em Samhain, data considerada por eles como o fim do verão, da metade clara do ano que começava em Beltane.
Mas ai você pode perguntar - Mas o verão não começa em Litha? E o inverno em Yule?
- Sim! Para nós, que perdemos contato com a natureza quase completamente.
Pense bem: Como poderia a Metade Escura do ano começar quando os dias começam a ficar mais claros? E a Metade Clara quando as noites começam a crescer?
Para os celtas Litha era o meio do verão, e Yule, portanto, o meio do inverno.
Muito lógico, se considerarmos que o dia e a noite mais longos do ano estejam exatamente no meio do verão e do inverno, assim como que os equinócios, data em que os dias e as noites tem uma duração idêntica, sejam meios de estações da Primavera e do Outono ao invés de seus inícios.
Mas então quando começam realmente as estações do ano? - Você pode perguntar.
Vou responder esta pergunta com outra: - Por que você acha que quatro dos oito sabbats anuais são chamados Sabbats Maiores? Preciso dizer mais?

Perceba que mais do que simplesmente oito celebrações separadas, os sabbats são a celebração de algo único e completo que é a Roda do Ano, e assim como não pode haver Primavera sem Verão, um sabbat não pode existir sem o outro.
Mas como vivênciar os oito sabbats da Roda do Ano dentro de nós? Buscando seguir e sentir o ritmo da natureza que existe em cada um de nós, mesmo que latente por anos de ignorância. Buscar aprender como a natureza está em cada uma das estações, em cada um dos sabbats, e procurar fazer o mesmo. São quatro estações e oito sabbats, Samhain e Yule no Inverno, Brigantia e Ostara na Primavera, Beltane e Litha no Verão e Lughnassadh e Mabon no Outono, cabendo a nós vivênciar esta Roda e aprendermos com ela.
E lembre-se, pois isto é muito importante, que os sabbats não são simples momentos mágicos, desligados do resto do ano, mas sim o início de uma estação para o wiccano. Então após um sabbat de Ostara, haverá uma estação de Ostara, um tempo em que toda a natureza, inclusive as pessoas, estarão cheios de energias de Ostara, energias que persistirão até o próximo sabbat, até o próximo início de estação.

E a Roda do Ano, este Grande Ciclo que buscamos sentir em nosso ano, e que, como vimos, também acontece em nossa vida, acontece também num mês e num dia, tanto fora como dentro de nós. É por isso que devemos aprender a senti-la pois nós somos parte da natureza e devemos nos integrar a seus ritmos, ao invés de impor os nossos.
Assim, como temos a Roda da Vida e a Roda do Ano , num mês também temos uma espiral, que nos vem através das quatro Luas: Crescente, Cheia, Minguante e Nova.
Luas que definem a altura das águas na natureza, as grandes marés, humores da Terra, assim como definem nossos humores internos, razão pela qual celebramos os Esbats.

As fases da Lua são como nossa respiração, tem dois momentos (Cheia e Nova) e duas passagens (Crescente e Minguante).
Apesar da Lua Cheia ser a mais importante para a Wicca, pois mostra a Deusa em seu aspecto pleno e energético, as demais fases da Lua também são importantes para diversos tipos de magia.

Lua Nova: As energias da natureza estão voltadas para dentro, como no inverno. É tempo de reflexão e meditação sobre nossos aspectos interiores, como a força e a intuição. Também é momento de se plantar idéias novas.

Lua Crescente: É quando devemos trabalhar as idéias que tivemos na Lua Nova, buscar inicia-las. Também é momento para se mentalizar por prosperidade e crescimento, pois é o que está acontecendo na natureza.

Lua Cheia: É quando a natureza está em sua plenitude. As energias estão todas voltadas para fora. Devemos então meditar sobre o vazio e deixar que está energia nos penetre. É uma Lua ligada a qualquer tipo de Alta Magia, momento de trabalharmos o poder.

Lua Minguante: É quando a natureza está se recolhendo, voltado-se para dentro. É o momento ideal para se fazer rituais de banimento, exorcismo e limpeza. Ideal para avaliarmos nossos projetos e cortar seus excedentes.

E como a vida, ano e mês, nosso dia também é uma espiral. Temos a Manhã , equivalente a Primavera ou a Lua Crescente, quando a luz e o calor aumentam, os animais e a natureza acordam da noite; as horas por volta de Meio-dia , semelhantes ao Verão e a Lua Cheia, quando o Sol está em seu apogeu, a temperatura é a maior do dia e a natureza está em seu êxtase; a Tarde , que pode ser comparada ao Outono e a Lua Minguante, quando o Sol perde a intensidade, a temperatura abaixa e a natureza começa a se recolher para a noite; e a Noite, Inverno ou Lua Nova, quando as energias da natureza estão em seu interior.

Temos então que o que a natureza faz todo dia, faz num mês, num ano, numa vida, pois todo o momento, de nosso nascimento a nossa morte, é sagrado, só cabendo a nós descobrir este fato e aprender como utilizar esse infinito fluxo de energia tanto em nosso benefício como em benefício da natureza da qual fazemos parte.

Blessed be!

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