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Carta nº 04
O tema desta carta
baseia-se nas perguntas que vivemos recebendo, como:
- Por que alguns
wiccanianos aceitam a auto-iniciação e outros não?
- Li em um livro que o altar deve ficar sempre ao norte e em outro
que deve ficar ao leste. Por quê?
- Por que há diferenças tão grandes de opinião entre os bruxos
se todos acreditam na mesma coisa?
A bruxaria nunca foi
unificada. Resumindo em uma só frase o que ela é, podemos dizer
que ela seja simplesmente um ofício que se utiliza da magia da
natureza para atingir fins específicos. Tais fins podem ser
desde devoção até feitiços e resoluções mais práticas do
dia-a-dia.
Uma das vertentes da
bruxaria é a Wicca, que foi anunciada como religião por Gerald
Gardner na década de 1950. Só que, de lá para cá, ela
sofreu tantas mudanças que podemos distingüi-la em duas
vertentes bem claras: a Wicca Tradicional e a Wicca
Moderna.
A Wicca Tradicional é
aquela de Gardner, sem modificações em suas essência. Wicca
Moderna é tudo que vem depois daquilo.
E é por isso, caro leitor
(ou leitora), que nós vemos tantas discrepâncias em livros de
autores diferentes. Eles seguem vertentes diferentes.
Para confundir mais ainda
a sua cabeça, devo informá-la(o) que, dentro tanto da Wicca
tradicional quanto da moderna, existem diversas outras vertentes,
que têm o objetivo em comum, porém, a forma de se fazer tudo é
que muda.
Por exemplo: dentro da
Wicca Tradicional, temos a tradição Gardneriana e a tradição
Alexandrina. A tradição Alexandrina é basicamente a mesma da de
Gardner, com apenas algumas poucas modificações. Porém, tais
modificações foram significantes, senão seriam a mesma coisa.
Correto?
A Wicca Moderna abraça
centenas de vertentes. Temos tradições diânicas (mais centradas
na Deusa), tradições das fadas (dezenas delas, cada uma com um
sistema mágico diferente), tradições hecatinas, entre tantas
outras.
E isso porque só estamos
falando de Wicca! E a Wicca é apenas uma das várias vertentes da
Bruxaria! Assim como a Wicca tem diversas vertentes, a Bruxaria
também tem. A Wicca apenas está "mais em voga".
Tudo isso acontece porque,
repito, a Bruxaria nunca foi unificada. Na maioria das
vezes, desenvolveu-se "nas sombras"; os bruxos e bruxas
de outras cidades (quem dirá países) dificilmente se
comunicavam. A bruxaria também não é como o cristianismo, por
exemplo, que tem a bíblia sagrada com toda a essência de suas
crenças. E quando todos acusam as bruxas de terem uma religião
desorganizada justamente por este fato, a nossa resposta é a
seguinte:
As bruxas tiram seus
ensinamentos da natureza. E isso, minha gente, ninguém pode pôr
em livros, porque a natureza é infinita em si mesma. Os mistérios
jamais podem ser colocados em palavras, apenas vivvenciados, e
toda bruxa de verdade sabe disso.
Temos milhares de livros
de bruxaria disponíveis por aí, mas nenhum deles poderá
unificar em si mesmo tudo o que a bruxaria é ou engloba. É
absolutamente impossível. Por isso, o que temos são livros
que expressam a opinião e a vivência de seus próprios autores.
Assim, quando um autor
garante a você que o altar deve ficar virado para o Norte,
enquanto outro afirma categoricamente que deve ficar ao Leste,
ambos estão certos. Em sua vivência pessoal, cada coisa que eles
fazem tem um sentido para eles, assim como deve ter para você.
A solução é, então, sempre
questionar o que ler ou ouvir. Ao invés de se martirizar
perguntando qual é o modo certo, simplesmente pesquise ambos os
modos. Dentro desse exemplo do altar, pesquise o porquê de cada
um deles e verifique o que você acha mais correto. Você acha
mais correto virar o altar para o Norte, por ser a morada dos
deuses, ou para o Leste, pelo nascimento do sol? Veja o que é
mais importante para você.
E isso vale para tudo na
bruxaria, pois, como já dissemos, não se trata de algo
unificado, mas sim de diversas culturas e formas de vivência
interagindo. Busque a sua própria prática pessoal, mas cuidado
para não chamá-la de algo que já existe, e é diferente do que
você faz.
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